Última alteração: 2023-10-25
Resumo
1 Introdução
Os animais domésticos errantes são importantes reservatórios de endoparasitos e estes podem contaminar locais públicos, podendo transmitir patógenos para outros animais, como também para os seres humanos, sendo de maior importância, principalmente, para crianças que frequentam parques e tanques de areia de praças, aumentando a possibilidade de transmissão de infecções por parasitos zoonóticos (DALL’ANGOL et al.,2010). Sabe-se que as parasitoses gastrintestinais são responsáveis por uma alta casuística na clínica médica de pequenos animais, e dentre essas, podemos citar a esparganose. A esparganose é uma parasitose causada pelo cestódeo Spirometra sp. que é pouco estudada comparada a outras cestoidíases, porém é de grande importância por possuir caráter zoonótico. Há poucos relatos em relação a esparganose mesmo ela apresentando o potencial de endemia em 48 países, e casos foram descritos na Ásia, África, Austrália, América do Sul e Estados Unidos (JOHN et al., 2006). Dessa forma, faz-se necessário o uso de métodos alternativos para estabelecer controle dessa parasitose. Há diversas formas de tentar controlar parasitos no ambiente, sendo os fungos nematófagos uma alternativa de controle viável. O mecanismo de ação dos fungos nematófagos é baseado na ação enzimática juntamente a uma ação física de captura e, posteriormente, a destruição dos ovos ou larvas. Os fungos são usados como controladores biológicos não causam danos ao meio ambiente, pois são saprófitas. Os fungos são divididos em três grupos principais: endoparasitas, oportunistas (ou ovicidas) e predadores (BRAGA; ARAÚJO, 2014). A partir dessas informações, tendo em vista o indeditismo, foi realizada uma avaliação da eficácia predatória dos fungos Pochonia chlamydosporia (VC4) e Duddingtonia flagrans (AC001) no controle biológico in vitro de ovos do parasito Spirometra sp. como alternativa de controle ambiental desse parasito.
2 Materiais e Métodos
As amostras de fezes positivas para ovos de Spirometra sp. foram coletadas de cães e gatos atendidos na Clinica Médica de Pequenos Animais (CMPA) do Hospital Veterinário (HV) do Instituto Federal da Paraíba – (IFPB, Campus Sousa). Após as coletas, as amostras foram enviadas para o Laboratório de Parasitólogia Veterinária , do IFPB, Campus Sousa para realizar as analises. As amostras foram analisadas através da técnica de Hoffmann et al. (1934) que consiste na sedimentação espontânea de ovos pesados, como dos cestódeos e trematódeos. As análises foram realizdas em microscopia óptica com aumento de 100 e 400x, sendo identificado o gênero a partir das caractérísticas morfologicas dos ovos.
Foi utilizado o isolado do fungo ovicida Pochonia chlamydosporia (VC4) da micoteca do Laboratório de Parasitologia do Departamento de Veterinária da Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil, de acordo com a técnica descrita por ESTEVES et al. (2009). Também foi utilizado uma solução de conídios de Duddingtonia flagrans (AC001). Discos de 4 mm de diâmetro contendo os isolados foram extraídos de tubos de cultivos, e transferidos para placas de Petri de 9,0 cm de diâmentro contendo 20 ml de batata-dextrose-ágar 2% (BDA 2%) acordo com o experimento descrito por BRAGA et al. (2009).
Foram coletadas 200g de fezes de cães e gatos positivos para Spirometra sp., e realizado o exame coproparasitólogico pela Técnica de Hoffmann et al. (1934). Logo em seguida, a solução com as amostras de fezes foram adicionadas em tubos tipo Falcon de 50 ml, logo após os tubos foram centrifugados em velocidade de 2.500 rpm por 10 minutos. Para recuperação dos ovos, foi desprezada uma parte da solução onde ficou o sedimento no fundo dos tubos contendo os ovos, logos após foram novamente adicionados em tubos tipo Falcon de 50 ml, com adição de 45 ml de água destilada, inseridos novamente na centrifuga na mesma velocidade e no mesmo tempo para realizar a limpeza dos ovos. O processo foi repetido mais uma vez, recuperando os ovos, para iniciar os ensaios experimentais.
Foram formados quatro grupos com seis repetições cada. Grupo 1: Controle, sem crescimento fúngico; Grupo 2: placas de petri com crescimento de Pochonia chlamydosporia; Grupo 3: placas de petri com crescimento Duddingtonia flagrans; Grupo 4: placas com crescimento simultâneo de P. chlamydosporia e D. flagrans. Os fungos foram adicionados em superficies de dez de placas de Petri de 9,0 cm de diâmentro contendo ágar-água 2% (AA 2%), as placas apresentando o isolado fúngico previamente crescido, em cada repetição (placa) foram adicionados cerca de 100 ovos do parasito. Após a adição dos ovos do parasito, as placas foram mantidas em estufa BOD, a 25ºC, e no escuro, durante todo o experimento. Foram procedidas leituras para a coleta de dados nos seguintes dias: sete, 14 e 21 dias após a montagem dos ensaios. Em cada dia de leitura, foram observadas as placas de Petri em um microscópio óptico, nas objetivas de 4x e 10x. Dez campos aleatórios de cada placa foram selecionados e avaliados quanto a predação dos ovos ocorrido naquele intervalo de tempo, além de visualizar as caractéristicas descritas por LYSEK et al. (1982): efeito tipo 1: efeito lítico sem prejuizo morfológico; efeito tipo 2: efeito lítico com alteração morfológica da casca e embrião do ovo; efeito tipo 3: efeito lítico com alteração morfológica do embrião e da casca. Os resultados do experimento foram avaliados por meio de análise de variância (ANOVA) e teste Tukey ao nível de 5% de probabilidade, utilizando o software BioEstat 5.0 (AYRES et al.; 2003).
3 Resultados e Discussão
Este foi o primeiro estudo de avaliação da eficácia do efeito in vitro de dois isolados de fungos nematófagos D. flagrans (AC001) e P. chlamydosporia (VC4), sobre os ovos de Spirometra sp. quando testados isoladamente e em associação. Após sete, 14 e 21 dias não foram obervados efeitos líticos para eficácia predatória. Com base na análise estatistica, não houve diferenças signicativas (P>0, 05) entre os tratamentos fúngicos. No entanto, a presente pesquisa é o primeiro relato de avaliação da eficácia dos fungos nematófagos em ovos de Spirometra sp. Desta forma, mais pesquisas são necessárias para maior elucidação desse fato, pois a P.chlamydosporia (VC4) foi testado com sucesso em ovos de vários gêneros de helmintos parasitas gastrinstestinais. São necessários estudos comparativos, como quanto a composição dos ovos desse cestódeo e como isso pode influenciar na ação lítica desses fungos.
- 4. Considerações Finais
Os resultados dessa pesquisa indicaram que os fungos D. flagrans (AC001) e P. chlamydosporia (VC4) não foram eficazes na destruição in vitro de ovos do cestódeo Spirometra sp. sendo necessários mais estudos a respeito da ineficiencia, relacionando as características do ovos e potencial de ação dos fungos.
Agradecimentos
Agradeço o suporte financeiro recebido do Conselho Nacional de Dezenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq).
Referências
AYRES M, AYRES JR, AYRES DL, SANTOS AS. BioEstat 3.0: aplicações estatísticas nas áreas das ciências biológicas e médicas. 2003.
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BRAGA, F. R; ARAÚJO, J. V.; ARAÚJO, J. M.; SILVA, A. R.; CARVALHO, R. O.; CAMPOS, A. K. Avaliação in vitro do fungo predador de nematóides Duddingtonia flagrans sobre larvas infectantes de ciatostomíneos de equinos (Nematoda: Cyathostominaes). Rev. Bras. Parasitol. Vet., Jaboticabal, v18, supl.1, p.83-85, dez. 2009.
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